EUA prepara-se para atacar a internet pelo mundo

09/09/2010 00:12

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[Leonid Savi / Tradução do DL] Após 1 de outubro, milhares de piratas informáticos que trabalham como espiões militares dos Estados Unidos vão envolver-se em pleno nas suas atividades de guerra cibernética.

As declarações para adotar medidas de defesa cibernética podem-se escutar com mais frequência nos EUA. Analistas desse país afirmam que a informação virada às redes de comunicação, do qual depende sua infra-estrutura nacional, são vulneráveis aos criminosos cibernéticos.

O tema da defesa do Ciberespacio é de máxima prioridade não só para os EUA. “As estatísticas revelam que os cibercriminosos subiram a aposta e se estão voltando mais sofisticados e criativos na distribuição de formas mais agressivas de software maliciosos (malware)”, segundo o lugar governamental Defence IQ.

“Nossas estatísticas mostram que os troianos e rogueware (“falsos” programas antivirus) ascenderam a quase 85 por cento do total da atividade do malware no 2009. Leste foi também no ano do Conficker (um verme cibernético de alto poder de destruição), ainda que isto oculte o fato de que os vermes classificados são só 3,42 por cento dos malware criados no ano passado”, afirma a revista.

“O verme Conficker causou graves problemas, tanto em ambientes domésticos e corporativos, com mais de 7 milhões de computadores infectados em todo o mundo, e se segue propagando rapidamente” (1).

No entanto, parece que os EUA estão demasiado preocupados pelo problema da defesa cibernética em comparação com outros países. O 26 de abril, a CIA deu a conhecer seus planos para novas iniciativas na luta contra os ataques baseados no site. O documento descreve os planos para os próximos cinco anos e o diretor da CIA, León Pannetta, disse que é “vital para a CIA estar um passo adiante do jogo quando se trata de reptos como a segurança no ciberespaço” (2).

Em maio de 2009, a Casa Branca aprovou o Protocolo para as Políticas no Ciberespaço (3), apresentado ao Presidente dos EUA pelos membros de uma comissão especial. O documento resume o estado da rede de EUA e a segurança da informação nacional. É o documento que propôs nomear um alto oficial para a cibersegurança encarregado de coordenar as políticas de ciber segurança dos EUA e suas atividades.

O relatório descreve um novo quadro global para facilitar a resposta coordenada por parte do governo, o setor privado e os aliados em caso de um incidente cibernético significativo. O novo sistema de coordenação permitiria federais, estatais, locais e tribais a trabalhar antecipadamente com a indústria para melhorarem os planos e recursos disponíveis para detectar, prevenir e responder a incidentes significativos em segurança cibernética. A iniciativa também supõe proporcionar a estas instâncias dados de inteligência e opções de caráter técnico e funcional, além de lhes garantir a formação de novos especialistas na defesa cibernética.

E um último passo mas não menos importante: em meados de 2010, a base aérea de Lackland, no Texas, começou a construção do primeiro centro especializado de inteligência virtual, onde já trabalham uns 400 especialistas. O 68 Escuadrón de Guerra de Redes (The 68th Network Warfare Squadron) e o 710 Escuadrón de Inteligência de Vôos (710th Information Operations Flight), da Força Aérea, foram transladados a San Antonio. Este lugar foi elegido porque está cerca de instalações militares que contemplam operações de ciberguerra, como a Agência para a Inteligência, a Vigilância e o Reconhecimento da Força Aérea e o Centro Criptología de Texas, da Agência de Segurança Nacional, que comandam operações de informação e criptología para o apoio da Força Aérea dos Estados Unidos. Funcionarão integrados aos interesses do Comando Espacial, o Comando da Força Aérea e a Reserva da Força Aérea dos Estados Unidos.

Numerosas publicações dos EUA mostram que a reforma das forças cibernéticas para a defesa nacional, bem como a introdução da doutrina e a estratégia da guerra cibernética estão a ponto de se completar. Quanto à estratégia para a ciberguerra dos EUA, podemos supor que está em consonância com o conceito geral da ofensiva militar global dos EUA.

William Lynn III em seu artigo “A Ciberestrategia do Pentágono”, publicado na revista Foreign Affairs (setembro / outubro de 2010), expõe cinco princípios básicos da estratégia de guerra do futuro:

- O Ciberespaço deve ser reconhecido como um terroritório de domínio igual à guerra por terra, mar e ar;

- Qualquer postura defensiva deve ir para além “da boa preparação ou higiene” e incluir operações sofisticadas e precisas que permitam uma resposta rápida;

- A Defesa Ciberespacial deve ir para além do mundo das redes militares -os .mil- do Departamento de Defesa, para chegar até as redes comerciais, que também se subordinam ao conceito de Segurança Nacional;

- A estratégia de Defesa Ciberespacial deve levar-se a cabo com os aliados internacionais para uma efetiva política “de advertência compartilhada” ante as ameaças, e

- O Departamento de Defesa deve contribuir para a manutenção e aproveitar o domínio tecnológico dos Estados Unidos para melhorar o processo de aquisições e manter-se actualizado com a velocidade e a agilidade da indústria da tecnologia da informação. (4)

Ao comentar este artigo os analistas assinalam que “as capacidades que se buscam permitirão aos ciber-guerreiros dos EUA enganarem, negarem, interromperem, degradarem e destruirem a informação e os computadores em todo o mundo” (5).

O general Keith Alexander, chefe do novo super Cibercomando do Pentágono (ARFORCYBER), afirmou: “Temos que ter capacidade ofensiva, o que significa que, em tempo real, seremos capazes de aniquilar a qualquer que trate de nos atacar”. Keith Alexander comparou os ataques cibernéticos com as armas de destruição em massa e de acordo com suas recentes declarações, os EUA têm previsto a aplicação ofensiva deste novo conceito de guerra.

Enquanto Washington acusa outros países de ajudar ou patrocinar o terrorismo cibernético (as estatísticas oficiais norte-americanas acusam a China da maioria dos ataques informáticos contra os sistemas de EUA), as forças especiais de Estados Unidos empregam-se a fundo na formação do novo pessoal para as guerras cibernéticas.

O comando – formado por 1 000 hackers de elite e espiões militares subordinados a um general de quatro estrelas – é o eixo da nova estratégia do Pentágono e espera-se que seja plenamente operativa o 1 de outubro, segundo The Washington Post (6).

O Departamento de Defesa tem “15 000 redes e 7 milhões de dispositivos informáticos em uso em dezenas de países, com 90 000 pessoas trabalhando para manter essas redes, cujas operações depende em grande parte das empresas comerciais” (7). Atrair os aliados e as empresas privadas que trabalham no âmbito das tecnologias da informação e da segurança é a proposta dos Estados Unidos para estabelecer a nova ordem no espaço cibernético global.

 

Tendo em conta tudo isto, que podemos esperar? É muito provável que possamos esperar a espionagem através de portas de trás, graças aos software de companhias bem conhecidas como Microsoft, além do bloqueio informativo, que limite dramaticamente o acesso a fontes alternativas de informação. De maneira que, a partir de 1 de outubro, todos os lucros da era da informação pudessem ser qüestionados. 

Fonte: http://paisdaelitenews.wordpress.com/2010/09/08/eua-prepara-se-para-atacar-o-mundo-na-internet/