Fuga de petróleo no Golfo do México poderá provocar uma "zona morta", com extinção da vida marinha

06/07/2010 00:24

Pantano oleoso na Luisiana. Clique para ampliar.

Altas concentrações de metano – em alguns casos quase um milhão de vezes maior do que o nível normal – foram descobertas em torno da fuga de petróleo da BP, aumentando temores de que possa criar uma "zona morta" com oxigénio esgotado onde a vida marinha não possa sobreviver. 

Zona mortas são áreas da água onde florescem algas pois elas alimentam-se de nutrientes em altas concentrações de matérias estranhas, tais como o metano, neste caso, ou mais tipicamente os componentes de fertilizantes agrícolas escorridos para dentro da água. As algae gorge reproduzem-se rapidamente e então, por sua vez, são comidas por bactérias num processo que esgota de oxigénio a área imediata. Os peixes e outros seres vivos marinhos não podem sobreviver nestas zonas, o que leva os cientistas a considerá-las "mortas". 

Que a fuga possa causar uma zona morta no Golfo seria mais um dado negativo para o ambiente, já a sofrer da destruição de viveiros marinhos e terrenos de nidificação de pássaros nos pântanos e de projecções de impactos negativos sobre a vida marinha ao logo da Costa do Golfo. A reacção em cadeia seria um bolsão no Golfo, onde pescadores deixariam de encontrar peixe ou outras criaturas do mar para capturar. 

O sítio onde foram descobertas grandes concentrações de metano está num raio de seis milhas 6 [9,6 km] em torno da fuga, de onde John Kessler, professor assistente do Departamento de Oceanografia da Universidade Texas A&M, retornou após uma viagem de investigação de 10 dias. 

Numa viagem anterior à mesma área, no ano passado, ele pode identificar a elevação do metano após o acidente com o Deepwater Horizon. O metano é o componente principal do gás natural, assim como o etano e o propano, e ele representa 40 por cento do peso do material que emana da fuga do poço da BP. 

No ano passado as concentrações destes gases estavam em níveis normais, de uma a duas partes por milhão. Este ano, a concentração de metano dissolvido na água do mar é 100 mil vezes maior e, em alguns lugares, a aproximar-se de 1 milhão de vezes mais, afirmou ele. 

Se bem que o metano possa ser tóxico para vários organismos marinhos, um dos focos da investigação de Kessler é verificar que a alta concentração de metano poderia conduzir a um furor alimentar por parte das micro-organizações marinhas que se alimentam deste hidrocarboneto, esgotando o oxigénio na área e criando uma zona morta. 

"Há algumas baixas no oxigénio", disse Kessler. "Ela é significativa, nós percebemos. Ela está ali". 

Mas se isto aumentará o suficiente para provocar uma zona morta ainda está para ser visto, disse ele, com factores significativos sendo quão altas as concentrações de metano permanecerão e quanto tempo permanecerão nestes níveis elevados. 

Com a BP a sugar para a superfície quantidades crescentes de hidrocarbonetos, há esperanças de que a quantidade que está a jorrar no Golfo esteja num declínio. Dito isto, espera-se que a fuga continue até que a companhia britânica possa completar pelo menos um dos dois furos de alívio que está a perfurar para interceptar o furo com a fuga e tapá-lo. A BP espera que isto possa ser no fim de Julho ou Agosto. 

A National Oceanic and Atmospheric Administration, a US Environmental Protection Agency e o Office of Science and Technology Policy da Casa Branca disseram no seu primeiro relatório sumário analítico, revisto por pares, acerca do monitoramento submarino, que "os níveis de oxigénio dissolvido permaneciam acima dos níveis de preocupação imediata". Mas acrescentava: "Há necessidade de monitorar os níveis de oxigénio dissolvido ao longo do tempo". 

O Golfo do México já tem uma das maiores zonas mortas do mundo – cerca de 17 mil quilómetros quadrados, a dimensão do Lago Ontario – nos últimos cinco anos, segundo o Louisiana Universities Marine Consortium. 

Mas os investigadores não sabem se o sítio da fuga – a mais de 100 milhas [161 km] da costa – conectar-se-á com aquela que têm estado a observar ao longo de anos. Aquela zona morta bem estudada está próxima à costa, em águas rasas, na zona de drenagem do Rio Mississippi, o qual super-enriquece as águas com nutrientes que levam a uma abundância de algas que consome todo o oxigénio da água de modo que esta deixa de suportar vinha marinha.

Fonte: http://www.resistir.info/ambiente/golfo_zona_morta.html