Super crises em 2011? Explosão da bolha das dívidas públicas ocidentais

22/12/2010 01:47

Neste final de ano, tudo está muito calmo. A mídia mais uma vez ilude as mentes desatentas com diversas cortinas de fumaça, e as festas pagãs de final de ano é o êxtase deste entorpecimento emburrecedor. Muita coisa está sendo escondida do povo.

Mas espero que você esteja atento, pois o ano de 2011 será o "Gran finale" da implantação do governo mundial. Será o estágio final para a escravização da sociedade. Crises, guerras, desastres, doenças e iniquidade: A ordem através do caos.  

Veja a notícia:

O que a mídia não mostra: Explosão da bolha das dívidas públicas ocidentais

por GEAB 

.O segundo semestre de 2011 assinalará o momento em que o conjunto dos operadores financeiros do planeta irá finalmente compreender que o Ocidente não reembolsará uma parte importante dos empréstimos realizados ao longo das últimas duas décadas. Para o LEAP/2020, isto acontecerá por volta de Outubro de 2011 devido ao afundamento de um grande número de cidades e estados dos EUA em situações financeiras inextricáveis após o fim do financiamento federal dos seus défices, ao mesmo tempo em que a Europa enfrentará uma importante necessidade de refinanciamento das suas dívidas[1] Nessa altura esta situação explosiva será revelada em toda a sua amplitude. A amplificação mediática da crise europeia em matéria de dívidas soberanas dos países periféricos da Eurolândia terá criado o contexto favorável a uma tal explosão, de que o mercado americano dos títulos municipais ("Munis") [2] deu um antegosto em Novembro de 2010 (como antecipado pela nossa equipe desde Junho último, no GEAB nº 46 ) com um mini-crash que fez com que em poucos dias se desvanecessem em fumo todos os ganhos do ano. Desta vez este crash (nele incluído a falência do ressegurador monoline Ambac[3] ) pôde desenrolar-se com toda discrição [4] uma vez que a máquina mediática anglo-saxónica [5] conseguiu centrar a atenção mundial num novo episódio da comédia fantasista "O fim do Euro ou o relançamento monetário da gripe H1N1" [6] . Contudo, a simultaneidade dos choques nos Estados Unidos e na Europa constitui uma configuração muito inquietante, comparável segundo a nossa equipe ao choque "Bear Stearn" que antecedeu em oito meses a falência do Lehman Brothers e o afundamento da Wall Street em Setembro de 2008. Mas os leitores do GEAB sabem que os choques importantes raramente fazem manchetes nos media com vários meses de antecedência, ao passo que os falsos alertas são habituais [7] ! 

Neste número 50 do GEAB antecipamos a evolução do choque terminal das dívidas públicas ocidentais (em particular das dívidas americanas e europeias) assim como os meios de precaução. Analisamos igualmente as consequências estruturalmente muito importantes das revelações do Wikileaks sobre a influência internacional dos Estados Unidos assim como a sua interacção com as consequências globais da Facilidade Quantitativa II(Quantitative Easing II) programada pela Reserva Federal dos EUA. O número de Dezembro do GEAB é certamente a ocasião de avaliar a validade das nossas antecipações para 2010, com uma taxa de êxito de 78% neste ano. Desenvolvemos igualmente conselhos estratégicos para a Eurolândia [8] e os Estados Unidos. E publicamos o índice GEAB-$ que permitirá doravante, a cada mês, acompanhar sinteticamente a evolução do US Dólar em relação às principais divisas mundiais [9] . 
Neste comunicado público GEAB nº 50, escolhemos apresentar um extracto da antecipação sobre a explosão da bolha das dívidas públicas ocidentais. 
Assim, a crise do endividamento público ocidental acentua-se muito rapidamente sob a pressão de quatro constrangimentos cada vez mais fortes:

  • a ausência de retomada económica nos Estados Unidos, que estrangula o conjunto das colectividades públicas (inclusive o Estado federal [10] ) habituadas nestas últimas décadas a um endividamento fácil e a receitas fiscais importantes [11] . 

  • o enfraquecimento estrutural acelerado dos Estados Unidos tanto em matéria monetária e financeira como diplomática [12] , o que reduz a sua capacidade de atrair a poupança mundial [13] 

  • o definhamento mundial das fontes de financiamento baratas que precipita a crise de super-endividamento dos países periféricos europeus (da Eurolândia como a Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha, ... e também do Reino Unido [14] ) e começa a afectar os países chave (EUA, Alemanha, Japão, [15] ) num contexto de refinanciamento muito importante das dívidas europeias em 2011 

  • a transformação da Eurolândia como novo "soberano" que elabora progressivamente novas regras do jogo para as dívidas públicas do continente

Estes quatro constrangimentos geram fenómenos e reacções variáveis em diferentes regiões/países. 
O contexto europeu: a portagem no caminho que vai do laxismo ao rigor será paga em parte pelos investidores. 
Do lado europeu, assiste-se assim à transformação laboriosa, mas que acaba por ser incrivelmente rápida, da zona Euro numa espécie de entidade semi-estatal, a Eurolândia. O lado laborioso do processo não se deve unicamente à fraca qualidade do pessoal político envolvido [16] como martelam incessantemente em entrevistas "ancestrais" como Helmut Schmidt, Valéry Giscard d'Estaing ou Jacques Delors. Como eles próprios nunca tiveram de enfrentar uma crise histórica desta amplitude, um pouco de modéstia lhes faria bem. 

Este lado laborioso decorre igualmente de facto de as evoluções em curso na zona Euro serem de uma amplitude política gigantesca [17] e de serem efectuadas sem nenhum mandato político democrático: esta situação semi-paralisa os dirigentes europeus que em consequência passam o seu tempo a negar que estejam em vias de fazer aquilo que fazem, a saber, construir uma espécie de entidade política que se irá dotar de componentes económicos, sociais, fiscais, ... [18] Eleitos antes da explosão da crise, eles não sabem que a maioria dos seus eleitores (e consequentemente dos actores económicos e financeiros) ficaria satisfeita com uma explicação sobre o rumo das decisões previstas [19] . Pois a maior parte das grandes decisões que estão para vir já são identificáveis, como analisamos neste número do GEAB. 

Finalmente, há o facto de que as acções destes mesmos dirigentes são dissecadas e manipuladas pelos principais media especializados em questões económicas e financeiras, nenhum dos quais pertence à zona Euro e todos, pelo contrário, estão ancorados na zona $/£ onde o reforço do Euro é considerado uma catástrofe. Estes mesmos media contribuem muito directamente para confundir ainda mais o processo em curso na Eurolândia [20] . 
.Entretanto, pode-se constatar que esta influência nefasta diminui uma vez que, entre a "crise grega" e a "crise irlandesa", a volatilidade induzida acerca do valor do Euro enfraqueceu. Para a nossa equipe, na Primavera de 2011 ela se tornará um fenómeno residual. Nessa altura não restará senão a questão da qualidade do pessoal político da Eurolândia, que será profundamente renovado a partir de 2012[21] ; e, mais fundamental, o problema considerável da legitimidade democrática dos formidáveis avanços em matéria de integração europeia [22] . Mas, de uma certa maneira, pode-se dizer que daqui até 2012/2013 a Eurolândia terá estabelecido os mecanismos que lhe terão permitido resistir ao choque da crise, ainda que venha a ser preciso legitimar a posteriori a sua existência[23] . 

A este respeito, o que vai contribuir para acelerar a explosão da bolha das dívidas públicas ocidentais, e que se verificará ao mesmo tempo para o seu catalisador estado-unidense, é a compreensão pelos operadores financeiros do que se esconde por trás dos debate da "Eurobrigações" (ou E-Bonds) [24] de que se começa a falar desde há algumas semanas [25] . É a partir do fim de 2011 (o mais tardar) que o fundo deste debate vai começar a ser revelado no quadro da preparação da perenização do Fundo Europeu de Estabilização Financeira[26] . Ora, o que surgirá bruscamente para a maioria dos investidores que actualmente especulam sobre as taxas exorbitantes das dívidas gregas, irlandesas, etc ... é que a solidariedade da Eurolândia não se estenderá até eles, nomeadamente quando se colocarem os casos da Espanha, da Itália ou da Bélgica, seja o que for o que digam os dirigentes europeus [27] . 

Em resumo, segundo o LEAP/E2020, há que esperar uma imensa operação de intercâmbio de dívidas soberanas (sobre o fundo da crise global em matéria de dívidas públicas) que oferecerá Euro-obrigações garantidas pela Eurolândia a taxas muito baixas contra títulos nacionais a taxas elevadas com um desconto de 30% a 50% uma vez que, nesse ínterim, a situação do conjunto do mercado das dívidas públicas ocidentais ter-se-á degradado. Os novos dirigentes da Eurolândia [28] eleitos (após 2012) serão democraticamente muito legítimos para realizar uma tal operação de que os grandes bancos (inclusive europeus [29] ) serão as primeiras vítimas. É muto provável que alguns credores soberanos privilegiados como a China, a Rússia, os países petrolíferos, ... recebam propostas de tratamentos preferenciais. Eles não se queixarão uma vez que a operação terá como consequência garantir os seus importantes haveres em Euros. 
 

 

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Fonte: http://www.resistir.info/crise/geab_50.html